IMUNOLOGIA
É
o ramo das ciências da vida que estuda o sistema imune e suas funções.
Do ponto de vista histórico as descobertas no campo da Imunologia, iniciadas
no final do século XVIII, estavam associadas aos processos de defesa
a agentes infecciosos.
Estudos mais recentes, nos últimos 30 anos, ampliaram o conceito de sistema
imune, através de sua compreensão como um sistema homeostático
composto por um conjunto de orgãos, suas células e produtos com
capacidade de reconhecimento e funções efetoras que resultam na
preservação da integridade do organismo.
As metodologias imunológicas são aplicadas nas mais diversas áreas
do conhecimento, constituindo ferramenta poderosa para o diagnóstico
de diversas doenças humanas, veterinárias e zoonoses de importância
econômica.
A Imunologia possibilita a profilaxia e o diagnóstico de doenças
humanas relevantes, tais como a febre amarela, aids e doença de Chagas.
Além disso, anticorpos monoclonais são utilizados atualmente em
diversas áreas da Biologia para a identificação, quantificação
e isolamento de moléculas de grande importância biotecnológica.
IMUNIZAÇÃO
Considerações
Há muitos tipos diferentes de doenças causadas por vários agentes infecciosos. Ao longo da história desenvolveu-se uma metodologia para combater muitas doenças indiretamente, ou seja, prepararando o sistema imune de um indivíduo para melhor lutar contra um ser vivo ou produto específico antes que a pessoa se exponha a eles de forma perigosa. Este capítulo relata os vários tipos de metodologia desenvolvidos há anos para efetuar a ativação da resposta imunológica a organismos e/ou seus produtos especificamente e proteger das conseqüências potencialmente danosas da infecção causada por microorganismos patogênicos.
Imunização passiva
É
possível tratar uma pessoa ou animal com preparações de
anticorpos purificados, os quais são específicos contra um organismo
particular ou toxina produzida por ele. Nessas condições, o indivíduo
receberá esses anticorpos intravenosamente como uma defesa primária
contra o patógeno/toxina e irá receber uma proteção
passiva. Obviamente, o feto (e todas as linhagens mamíferas) irá
receber também um similar, mas, naturalmente, ocorre dessa forma, uma
imunização passiva através da transferência materno-fetal
de anticorpos via placenta, os quais a mãe está produzindo, ou
pelo leite materno.
A imunização passiva intencional por injeção (usualmente
soro) será dado somente se houver uma clara evidência de exposição
a um organismo significativamente perigoso e se houver uma evidência adicional
em circunstâncias apropriadas, na qual o indivíduo claramente não
recebeu vacina no tempo padrão correto (por exemplo: pertussis, tétano,
difteria).
Imunização ativa (Vacinas)
As
vacinas podem ser preparadas de vírus ou bactérias inativadas,
como organismos inteiros ou seus produtos ou organismos inteiros vivos, mas
atenuados. Após receber a vacina, o indivíduo irá esperançosamente
desenvolver uma resposta (anticorpos).
Imunização ativa é mais duradoura que a passiva. Pode ser
adquirida naturalmente, em conseqüência de uma infecção
com ou sem manifestação clínica, ou artificialmente, mediante
a inoculação de frações ou produtos do agente infeccioso,
do próprio agente, morto ou atenuado. A imunidade ativa depende da imunidade
celular, que é conferida pela sensibilidade de linfócitos T, e
da imunidade passiva, que se baseia na resposta aos linfócitos B.
O mecanismo de imunidade adquirida através da vacinação
é semelhante àquele utilizado pelo organismo para lutar contra
as infecções virais ou bacterianas. O antígeno ao entrar
no organismo estimula uma resposta imune.
O processo de imunização ocorre após a administração
de uma vacina. Podem ocorrer dois tipos de resposta: primária e secundária.
Resposta
primária
Observam-se
depois da vacinação três períodos distintos: latência,
crescimento e diminuição.
Latência: é o período entre a injeção
da vacina e o aparecimento dos anticorpos séricos. Varia de acordo com
o desenvolvimento de sistema imunitário da pessoa, da natureza e da forma
da vacina (antígeno) utilizada.
Crescimento: é o período em que ocorre o aumento da taxa
de anticorpos, que cresce de modo exponencial, atingindo o máximo no
tempo mais variado. Varia de quatro dias a quatro semanas. Exemplificando: este
período é de aproximadamente três semanas para os toxóides
tetânico e diftérico.
Diminuição: é o período em que depois de
atingir a concentração máxima, a taxa de anticorpos tende
a cair rápidamente e depois de forma mais lenta. Essa etapa é
longa e depende da taxa de síntese dos anticorpos e de sua degradação,
bem como da qualidade e quantidade do antígeno.
Resposta
secundária
Observa-se
ao introduzir uma segunda ou mais doses posteriores. Para produzir anticorpos
são necessários alguns dias. O gráfico abaixo mostra que
a primeira dose provoca uma resposta mínima de anticorpos e que a segunda
e a terceira doses produzem respostas secundárias, com o surgimento rápido
de grandes quantidades de anticorpos.

Concentração
de anticorpos antitoxina

Fonte: HALSEY, Neal A.; QUADROS, Ciro A., 1983.
Acima
da linha reta mais escura o indivíduo está protegido, abaixo ele
está susceptível.
Conclui-se que para conferir proteção é preciso ministrar
duas ou mais doses, dependendo do antígeno.
O mecanismo de memória imunológica está baseado nos dois
tipos de linfócitos, T e B. A memória imunológica é
persistente no homem e depende da quantidade e da qualidade do antígeno
inoculado e do ritmo das estimulações.
TECIDOS E ÓRGÃOS LINFÓIDES
Definição
No
corpo humano existem diversos locais onde há produção de
células linfóides maduras que vão agir no combate a agressores
externos.
Alguns órgãos linfóides se encontram interpostos entre
vasos sangüíneos e vão dar origem a células brancas
na corrente sangüínea. Outros estão entre vasos linfáticos
e vão filtrar a linfa e combater antígenos que chegam
até eles por essa via. Outros ainda podem ser encontrados fazendo parte
da parede de outros órgãos ou espalhados pela sua mucosa.
Os tecidos linfóides são classificados em primários e secundários.
Os primários representam o local onde ocorrem as principais fases de
amadurecimento dos linfócitos. O timo e a medula óssea são
tecidos primários, pois é o local onde amadurecem o linfócitos
T e B, respectivamente.
Os tecidos primários não formam células ativas na resposta
imune, formam até o estágio de pró-linfócitos.
Os tecidos linfóides secundários são os que efetivamente
participam da resposta imune, seja ela humoral ou celular. As células
presentes nesses tecidos secundários tiveram origem nos tecidos primários,
que migraram pela circulação e atingiram o tecido. Neles estão
presentes os nodos linfáticos difusos ou encapsulados como os linfonodos,
as placas de Peyer, tonsilas, baço e medula óssea. Devemos aqui
destacar a medula óssea, que é órgão primário
e secundário ao mesmo tempo.