Anemia afeta 49,8% das crianças no país

Cerca de 49,8% das crianças brasileiras entre 6 meses e 3 anos, matriculadas em creches e pré-escolas municipais, têm anemia, doença causada pela falta de células vermelhas no sangue. Recife lidera a incidência da doença, com 81%. A menor taxa foi observada em Natal, com 18%.
Os dados constam de um estudo coordenado pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), realizado em 20 capitais brasileiras. Cerca de 8.000 crianças foram avaliadas durante quatro anos, a partir de 1995.
(...) "A doença é provocada pelo hábito alimentar inadequado da criança", disse Mauro Fisberg coordenador do estudo.
A principal causa da anemia é a falta de ferro no corpo. O ferro é o principal componente da hemoglobina, essencial para a formação de células vermelhas.
A doença é reversível com a adição de ferro à dieta, seja por meio da comida ou pela ingestão de suplementos alimentares. No entanto, em muitos casos, os danos provocados pela anemia são permanentes.
A anemia é mais freqüente entre os 6 meses e os 2 anos de idade, faixa etária em que a criança começa a desenvolver várias funções. A doença dificulta o desenvolvimento cognitivo, como a memória, e o aprendizado. A coordenação motora também fica comprometida.
A falta do nutriente pode ter várias causas. Logo no nascimento, crianças prematuras já começam a vida com menos ferro. Ele é passado para o feto no último trimestre da gestação. Se a criança nasce mais cedo, o nível de ferro é menor.
O problema continua na amamentação. "O leite materno é a melhor fonte de ferro para a criança", disse Fisberg. Se a criança pára de mamar cedo, o nível de ferro é reduzido.
A introdução do leite de vaca como substituto do materno também agrava o problema. O leite não pode ser o comum, ele precisa ser acrescido de nutrientes e sais minerais.
(...) Quando a criança cresce, a dieta passa a ser a principal fonte de ferro. O nutriente é encontrado principalmente em carnes, feijão e lentilha. Alguns alimentos devem ser consumidos em conjunto para otimizar a absorção de ferro no corpo. Beber chá durante as refeições reduz a absorção. Já consumir sucos de frutas cítricas, ricas em vitamina C, com alimentos aumenta a absorção.

(SCHEINBERG, Gabriela. Folha de São Paulo, São Paulo, 20 jul.2000)


O Paradoxo do Stress

O homem moderno se defronta com o paradoxo do "stress". Por um lado, ele é uma parte essencial em nossas vidas, nos dando ímpeto, vitalidade, motivação e progresso. Do outro, o stress também é raiz de uma infinidade de problemas econômicos, médicos e sociais.
Nestas últimas décadas, os avanços tecnológicos determinaram mudanças radicais em todos os níveis da sociedade. Ajustar-se às mudanças dessa magnitude, requer capacidade de adaptação, física, mental e social. Infelizmente, o desenvolvimento dessa capacidade está bem distante do ritmo intenso das modificações com as quais o homem se confronta, criando assim uma situação de conflito e desequilíbrio. O stress patológico é a conseqüência direta desse desequilíbrio.
O stress patológico, observado nas pessoas, determinará a ligação com diferentes tipos de patologias. Estudos epidemiológicos demonstraram forte ligação com a doença cardíaca (doença coronariana, hipertensão e trombose), obesidade, diabetes, afecções cutâneas, etilismo, tabagismo, distúrbios mentais, fadiga física e mental e distúrbios no aparelho digestivo.
A vida agitada, sem horários, somada a uma alimentação inadequada, contribuem para o aparecimento de doenças no aparelho digestivo.
Não há estatística a respeito, mas é na gastroenterologia que encontramos uma série de doenças funcionais com fundo emocional, principalmente a Síndrome do Intestino Irritável e as dispepsias, responsáveis, às vezes, por até 50% dos casos atendidos nos consultórios. Os sintomas são de dor, desconforto, gases, diarréia, prisão de ventre, náuseas e digestão difícil.
A ligação entre stress e úlcera gastroduodenal e gastrite é complexa. De certa maneira, o desenvolvimento da úlcera, na maioria dos pacientes, está vinculada à infecção de uma bactéria, o Helicobacter pylori. O stress continuado está relacionado à manutenção de altos níveis de secreção de ácido pelo estômago, contribuindo para o aparecimento de úlceras.
Nas últimas décadas, considerando a melhora das condições sócioeconômicas, a medicina preventiva, o diagnóstico precoce de doenças e os novos medicamentos, contribuem para o aumento na expectativa de vida. Com isso, determinados grupos populacionais, que vivem mais tempo, são suscetíveis para desenvolver câncer no aparelho digestivo.
Atualmente, observa-se, segundo o Instituto Nacional do Câncer do Ministério da Saúde, um aumento dos tumores do aparelho digestivo; o câncer gástrico em 1999, identificava-se como a principal causa da morte por câncer no Brasil. Nas regiões Sul e Sudeste, observa-se entre os diagnósticos principais o câncer de colo-retal (4º lugar), câncer gástrico (7º lugar) e câncer de esôfago (8º lugar).
Os fatores de risco não são a causa do problema, mas aumentam a chance da pessoa desenvolver a doença. São eles: hereditariedade, idade acima de 40 anos, fumo, bebidas alcoólicas em excesso, sal em excesso, alimentos contendo nitritos e nitratos (carnes e peixes salgados e embutidos), alimentos defumados (carnes assadas na brasa), ingestão de carnes e gorduras e uma relação negativa com o consumo de fibras.
O diagnóstico das diferentes patologias descritas será feito após uma boa avaliação clínica e através de exames laboratoriais. Atualmente, os métodos, como o exame de endoscopia digestiva alta e o exame de videocolonoscopia com magnificação de imagem, nos permitem fazer – principalmente – o diagnóstico precoce do câncer do aparelho digestivo, como também sua retirada, quando observado nas fases iniciais.
É importante que as pessoas com sintomas grastrointestinais procurem seu médico e não se auto-mediquem, para evitar que o diagnóstico precoce do câncer do aparelho digestivo seja feito tarde demais.

Dr. Marco Zambrano – Especialista em gastroenterologia clínica e endoscopia digestiva.

(Diário Catarinense. Caderno de saúde, 28 de jun.2000)


Projeto Genoma Humano - PGH
Seqüência de DNA abre caminho para novos diagnósticos e tratamentos

Anunciada decifração do código genético da espécie humana

SÉRGIO DÁVILA - DE NOVA YORK

O genoma humano foi mapeado e sua seqüência estabelecida pela primeira vez na história da humanidade, anunciaram ontem o presidente norte-americano, Bill Clinton, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e representantes dos grupos rivais, o consórcio público internacional Projeto Genoma Humano (PGH) e a empresa norte-americana Celera.
Genoma é a coleção de genes com as instruções para produzir um ser humano. Seu seqüenciamento (leitura) tem um impacto no conhecimento já comparado ao da descoberta da América, em 1492, da chegada do homem à Lua, em 1969, e da invenção do microprocessador, em 1970.
"É o mapa mais importante já produzido pela humanidade", disse Bill Clinton. "Cruzamos a fronteira em direção a uma nova era", afirmou Tony Blair. Para o cientista James Watson, que descobriu com Francis Crick a estrutura da dupla hélice do DNA em 1953, "é uma fonte gigantesca".
Os cientistas da Celera, presidida por Craig Venter, mapearam 98% e decifraram a exata seqüência dos 3,1 bilhões de bases do DNA humano. O consórcio público PGH, que reúne representantes de seis países, entre eles EUA e Reino Unido, e é comandado por Francis Collins, dos Institutos Nacionais de Saúde (EUA), anunciou que conseguiu mapear 98% do genoma, mas só obteve a exata seqüência de 85%.
Se o genoma humano fosse uma página de texto, a Celera teria todas as letras e algumas palavras. O desafio dos dois grupos agora é descobrir a seqüência das palavras e as frases que elas formam. Todas as páginas juntas tomariam 200 listas telefônicas.
O evento deve revolucionar a medicina nos próximos anos. De posse dos dados, cientistas tentarão desenvolver tratamentos que atuem nos genes envolvidos no câncer de mama, por exemplo. Ou criar um remédio baseado na função da célula que faz com que pessoas não tenham mal de Parkinson. Ou evitar já na infância que infartos aconteçam.
Os resultados, no entanto, devem levar até 50 anos para aparecer. "É agora concebível que os filhos de nossos filhos só conheçam o termo "câncer" como uma constelação", disse Bill Clinton.
Há, ainda, uma forte questão ética envolvida na descoberta. De posse dos dados genéticos de uma pessoa que pode vir a desenvolver leucemia, por exemplo, empresas de seguro poderiam negar seus serviços, empregadores recusariam candidatos, mães interromperiam a gravidez. A novíssima bioética deve monopolizar os próximos debates.
Tanto Clinton quanto Blair destacaram esse aspecto, ontem. "Temos de garantir que essa poderosa informação não seja usada para que o homem se torne seu próprio criador ou invada a privacidade alheia", disse Tony Blair.
O Partido Democrata, o mesmo do presidente Bill Clinton, entrou no Congresso norte-americano com projeto de lei, semana passada, que torna as informações do genoma propriedade sigilosa do cidadão e proíbe qualquer forma de discriminação genética. Religiosos elogiam, mas temem que homem brinque de Deus

ARMANDO ANTENORE - DA REPORTAGEM LOCAL

Representantes das três religiões monoteístas no Brasil -o cristianismo, o judaísmo e o islamismo- encaram com reservas a decifração do genoma humano. Consideram a descoberta um admirável avanço, mas temem que "minorias privilegiadas" deixem de utilizá-la para o bem de toda a humanidade.
"Nós, homens, somos parceiros de Deus na missão de aperfeiçoar o mundo. Cabe-nos, sim, buscar meios de remover os obstáculos que a natureza põe em nosso caminho", avalia Henry Sobel, presidente do rabinato da Congregação Israelita Paulista.
"Nesse sentido", prossegue, "o sequenciamento do DNA revela-se fascinante. Discutível é o uso que se poderá fazer de algo tão grandioso. As pesquisas devem continuar desde que respeitem plenamente os direitos das pessoas e não gerem nenhuma discriminação baseada em características genéticas."
"A decifração do genoma representa, de fato, uma conquista, já que nos permitirá erradicar certas doenças e entender melhor a mais bela das criações divinas: o homem e a mulher", defende Frei Betto, frade dominicano e autor do livro "A Obra do Artista - Uma Visão Holística do Universo".
Ele, no entanto, receia que a descoberta acentue "a nossa tentação de brincar de Deus". "Imagine se, um dia, acabamos concebendo em laboratório um ser replicante, parecido com a gente, mas desprovido de livre arbítrio, porque condicionado às vontades dos cientistas?", pergunta, sem evitar o exagero das previsões. "Suponha, por exemplo, que esse simulacro de homem não sinta dor. Estaríamos diante de um monstro."
O padre Márcio Fabri, teólogo e estudioso da bioética, inquieta-se com "o contexto" em que ocorre a decifração do DNA humano. "O saber da humanidade concentra-se, cada vez mais, nas mãos de uma minúscula parcela de privilegiados, que tende a usá-lo como instrumento de dominação. Precisamos definir normas bastante claras para que o sequenciamento do genoma não aumente a discriminação contra a maioria excluída e não traga preconceitos no campo do trabalho ou da securidade social."
O padre Leo Pessini, que coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Bioética do Centro Universitário São Camilo (SP), manifesta receio semelhante: "Espero que a perspectiva de aperfeiçoamento da espécie humana não signifique uma maneira refinada de segregar os imperfeitos".
"Lê em nome do teu Senhor." O sheik Ali M. Abdouni cita o primeiro versículo do Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, para dizer que o islamismo incentiva "a procura do conhecimento".
Lembra, ainda, que o próprio Muhammad, o último profeta do Islã, já avisava: "Allah não colocou nenhuma doença sobre a Terra sem colocar a cura".
"A pesquisa científica, portanto, nos aproxima dos mistérios da Criação. Mostra-nos o poder de Deus, que pôs em tudo sinais de sua existência", explica Abdouni, diretor do departamento religioso da Sociedade Beneficente Muçulmana de São Paulo.
O sheik, porém, faz as mesmas ressalvas de cristãos e judeus: "O saber não pode servir para prejudicar os homens nem para iludi-los de que são iguais ao Criador".

Fonte: Folha de São Paulo - 27/06/2000


Chás fazem bem para o coração

O que já era de domínio popular, agora tem nova comprovação, desta vez científica: os chás fazem bem para a saúde. A afirmação vem de um estudo publicado na edição de março da revista European Journal of Clinical Nutrition. Um grupo de pesquisadores holandeses estudou os efeitos de chás em 21 voluntários (10 homens e 11 mulheres, com idade entre 18 e 70 anos). Durante seis dias, os voluntários consumiram o equivalente a três xícaras por dia de chá preto ou chá verde. Várias amostras de sangue foram retiradas enquanto durou a experiência para verificar a presença de antioxidantes, substâncias que protegem o organismo, inclusive contra doenças cardíacas. Os resultados mostraram que a quantidade de antioxidantes cresceu. Segundo os autores da experiência isso se deve, muito provavelmente, a fitoquímicos presentes no chá, na forma de flavanóides.
Apesar de os dois terem mostrado bons resultados, os benefícios do chá verde foram ainda superiores. além dos benefícios para o coração, os antioxidantes inibem as mutações celulares provocadas pelos radicaislivres e contribuem para retardar o desenvolvimento de câncer de próstata e esôfago.

· ALECRIM - É um estimulante geral, anti-séptico pulmonar, anti-reumático e diurético. Mas pode fazer a pressão subir.
· ALHO - Expectorante, anti-séptico pulmonar, analgésico, antiinflamatório, vermífugo. O alho ainda diminui a viscosidade sangüínea.
· BOLDO DO CHILE - Emprega-se para combater as afecções do fígado e estômago.
· CALÊNDULA - Tem ação antialérgica, refrescante, anti-séptica, cicatrizante e antiinflamatória.
· CAMOMILA - Emprega-se no combate a cólicas menstruais e do estômago, febres, indigestões. Tem ação calmante, cicatrizante, antialérgica, anti-séptica e antiinflamatória.
· CANELA - É estimulante, aromática, digestiva, anti-séptica e bactericida.
· CARQUEJA - Emprega-se no tratamento de enfermidades da bexiga, do fígado, rins e má digestão. Como gargarejo, é usada nas inflamações da garganta.
· ERVA-CIDREIRA - Usada para combater afecções gástricas e nervosas, dores de cabeça, enxaquecas, má circulação sangüínea, resfriados. É tranqüilizante e diurética.
· ERVA-MATE - Plenamente integrada aos hábitos indígenas, a erva-mate era usada para matar a sede, diminuir a fome e revigorar as energias. De fato, as folhas da planta contêm cafeína, estimulante circulatório. Além disso, a erva-mate é boa como cicatrizante, diurética e digestiva.
· ESPINHEIRA SANTA - Empregada em problemas estomacais (gastrite e úlcera). Tem ainda ação levemente diurética e laxativa.
· GUACO - É um bronco dilatador. Recomendado para bronquite, rouquidão e problemas no aparelho respiratório. Usa-se o cozimento das folhas para fazer xarope.
· HORTELÃ - Usa-se como remédio das vias digestivas, nervos, cálculos biliares, cólicas uterinas.
· MARACUJÁ - Tem ação sedativa e diurética.
· QUEBRA-PEDRA - Auxilia na eliminação de cálculos renais e cistites.

Fonte: Diário Catarinense de 28/06/2000 - Caderno de Saúde.


Meningite

A mais grave é a do tipo bacteriana. Trata-se de uma doença perigosa que atinge, principalmente, as crianças de até cinco anos. Se não for tratada a tempo, pode deixar graves seqüelas e até matar. Em Santa Catarina, 15% dos casos são registrados no mês de julho. Estatísticas mostram que 35% dos casos da doença surgem nos meses de inverno.

· O que é? É uma inflamação das meninges (membranas que envolvem o sistema nervoso central). Elas se dividem em: Pia-Máter(camada interna), Aracnóide (camada intermediária cujo nome vem das travessas finas que lembram a teia da aranha) e Dura-Máter (camada mais externa, que na maioria dos casos não é atingida pela meningite).
· Quais são os sintomas? Febre alta, forte dor de cabeça, vômitos, rigidez na nuca (o doente não consegue abaixar a cabeça) e, às vezes, manchas avermelhadas na pele. Nos bebês, os sintomas causam irritação, choro e abaulamento da fontanela (a moleira incha como se a criança tivesse um “galo” na cabeça).
· Como se transmite? Através do contato direto entre as pessoas, pela fala, tosse, espirro ou beijo.
· Prevenir é o melhor remédio. Evite levar as crianças a lugares fechados e cheios de gente. Sempre que andar de ônibus, procure abrir as janelas. Salas de aula devem ser ventiladas, com portas e janelas abertas. A casa também deve ser arejada, se possível, ensolarada, principalmente os quartos.
· O que fazer? Diante do aparecimento dos sintomas, procure imediatamente o médico.
· Higiene: mantenha a higiene corporal, lave sempre as mãos após ir ao banheiro. Ferva utensílios domésticos, como pratos e talheres contaminados por secreções do doente, mamadeiras, chupetas. Combata as moscas e outros insetos. Evite esgotos abertos.
· Tipos de meningite: a que mais preocupa é a do tipo meningocócica, causada por uma bactéria chamada meningococo. As mais freqüentes são: A, B, C e W135. As vacinas contra o miningococo dão proteção parcial e são específicas para cada sorogrupo, não eliminando a doença por completo. A do tipo viral é a mais comum.

SC Casos Mortes
1994 432 57
1995 536 62
1996 413 63
1997 362 60
1998 327 44
1999 231 25


· Até a 25a semana deste ano foram registrados 25 casos, com seis mortos.
· Regionais de saúde onde mais ocorre a doença: FLORIANÓPOLIS, BLUMENAU e JOINVILLE .

(Andrey Freitas - Diário Catarinense de 27/07/2000 - Fonte: Diretoria de Vigilância Epidemiológicade Santa Catarina)

 

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